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2.5.10
19.4.10
Excruciante
Hoje eu sou uma pessoa que tem mágoas... e mágoas são como um veneno que se toma esperando a morte alheia... Quando eu penso no meu passado, a boca do meu estômago se aperta como se eu tivesse levado um belíssimo gancho de direita...Do meu passado, poucos sabem poucas coisas... mas a maior parte da historia está numa caixa dolorida no meio do meu peito... Mexer nela dói... Não consegui compartilhá-la porque tenho vergonha de mim... de ter me deixado levar por sentimentos vazios... por ter me entregado de corpo e alma, justamente quando eu deveria ter me protegido... por ter feito tudo que fiz, sem que valesse a pena... por ter investido tanto na pessoa errada, no sentimento errado...
Tudo que eu fiz foi errar... e agora eu não consigo dar espaço pro que vem...
Eu sei que só conseguirei ir pra frente de vez quando eu assumir que errei, mas entender que isso naum faz de mim uma pessoa melhor ou pior... apenas uma pessoa que sabe mais... que sabe melhor por onde seguir ou não... Não posso exigir que alguem conviva com meu passado, se eu mesma não consigo conviver com ele... eu simplesmente o evito... tento fingir que nada aconteceu, tento pular minha vida direto dos 25 para os 27 anos... esquecer que um dia tive 26... e o quão sofrido foi esse aniversário de 26... o quão solitário foi...
Eu tento esquecer que me tornei a pessoa paranóica que sempre critiquei, que fiquei quase louca, que perdi a razão de uma forma como jamais imaginei que pudesse perder...
Esquecer que desejei a morte alheia... e que desejei morrer...
Quando eu penso nessas coisas eu me sinto suja, porque me deixei sujar... e cada vez mais me fecho no meu mundinho de Alice... onde coelhos usam relogios e gatos surgem no meio da noite pra te dar os melhores conselhos... eu fui forçada a voltar de dentro do espelho, muito antes de estar preparada pra isso, por pessoas que já haviam sofrido a volta... Hoje eu gostaria de poder voltar pra dentro do espelho... Mas uma vez que se sai de lá, é impossível voltar... Uma vez que seu "mundo ideal" fora destruído, resta-lhe viver com seu mundo real... E aguentar a dor excruciante de ser quem se é... de ter sido quem foi... de ter feito o que fez... de ter permitido que alguem lhe causasse dor e lhe plantasse uma mágoa...
Minha Alice hoje chora...
"Serei castigada agora por isso, parece, afogando-me nas minhas próprias lágrimas! Isso será uma coisa bem esquisita, com certeza! Mas tudo aqui é muito esquisito hoje."
Hoje e sempre Alice.... hoje e sempre...
Imagem fonte: http://ilustrepanda.blogspot.com/
11.12.09
Insone e sem inspiração
Então eu copio...
"Criança de fronte pura e luminosa,
E olhos sonhadores, espantados:
Embora escorram as horas ociosas
E meia vida nos torne separados,
Teu rosto - é certo - acolherá risonho
Essa oferta de amor: um conto-sonho.
Tua face ensolarada não mais vejo
Nem mais escuto o teu riso argentino
E minha imagem não terá, prevejo,
Lugar no teu futuro cristalino.
Basta-me só que não deixes - proponho -
De ouvir este meu conto-sonho.
Conto que outrora começou, num dia
Em que o sol esplendia no verão
E acompanhava, simples melodia,
O ritmo dos remos: seu refrão.
Eco que na memória não esmorece
Embora o ciúme do tempo diga: "esquece"
Escuta, antes que voz de acento amargo
Venha trazer notícia dolorosa,
Convidando para o final letargo
Uma donzela melancólica.
Não somos mais que crianças, querida,
Agitadas na hora de dormir.
Lá fora, a neve gelada e ofuscante,
Das borrascas a fúria e o capricho.
Dentro, a lareira, o fulgor radiante,
Do júbilo da infância ninho e nicho.
Aqui te prendem essas mágicas vozes:
Não ouvirás esses ventos velozes.
E embora se ouça a sombra de um suspiro
A estremecer no meio dessa estória,
Pelos "dias felizes" consumidos
E do verão a esvaecida glória,
Turvar não quero, com hálito enfadonho,
Todo o prazer deste conto-sonho."
Lewis Carroll - Através do Espelho e o que Alice Encontrou Lá
pois é...
"Criança de fronte pura e luminosa,
E olhos sonhadores, espantados:
Embora escorram as horas ociosas
E meia vida nos torne separados,
Teu rosto - é certo - acolherá risonho
Essa oferta de amor: um conto-sonho.
Tua face ensolarada não mais vejo
Nem mais escuto o teu riso argentino
E minha imagem não terá, prevejo,
Lugar no teu futuro cristalino.
Basta-me só que não deixes - proponho -
De ouvir este meu conto-sonho.
Conto que outrora começou, num dia
Em que o sol esplendia no verão
E acompanhava, simples melodia,
O ritmo dos remos: seu refrão.
Eco que na memória não esmorece
Embora o ciúme do tempo diga: "esquece"
Escuta, antes que voz de acento amargo
Venha trazer notícia dolorosa,
Convidando para o final letargo
Uma donzela melancólica.
Não somos mais que crianças, querida,
Agitadas na hora de dormir.
Lá fora, a neve gelada e ofuscante,
Das borrascas a fúria e o capricho.
Dentro, a lareira, o fulgor radiante,
Do júbilo da infância ninho e nicho.
Aqui te prendem essas mágicas vozes:
Não ouvirás esses ventos velozes.
E embora se ouça a sombra de um suspiro
A estremecer no meio dessa estória,
Pelos "dias felizes" consumidos
E do verão a esvaecida glória,
Turvar não quero, com hálito enfadonho,
Todo o prazer deste conto-sonho."
Lewis Carroll - Através do Espelho e o que Alice Encontrou Lá
pois é...
21.11.07
Alice au Pays des Merveilles
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